O que é BIM e por que o Técnico em Edificações deve saber

Publicado em 27/02/2026 por CPET

O que é BIM e por que o Técnico em Edificações deve saber

Cada ano que passa vemos mais tecnologias sendo integradas ao mercado de trabalho, otimizando processos e reduzindo falhas humanas.

Este movimento pode ser visto em todos os setores, inclusive na construção civil, que vem passando por uma transformação tecnológica.

Este é um segmento onde falhas humanas podem ser catastróficas, portanto, o uso destas novas ferramentas deixou de ser um diferencial para se tornar obrigação.

A escassez de mão de obra qualificada também é um problema no mercado, o que impulsionou a criação de softwares, como é o caso do  BIM (Building Information Modeling).

O domínio desta ferramenta se tornou obrigatório para todos os profissionais da construção civil, inclusive para técnicos em edificações, que devem buscar capacitações que abordem este software.

Neste artigo, explicaremos o que é o BIM, sua importância para os profissionais da construção civil, o papel do técnico em edificações em uma obra e mais. Acompanhe a seguir.

O que é BIM (Building Information Modeling)?

O BIM (Modelagem da Informação da Construção) é a base da transformação digital no setor de arquitetura, engenharia e construção (AEC).

Este é muito mais do que um software ou desenho 3D, proporcionando (além da modelagem da construção) um conjunto de informações essenciais geradas e mantidas ao longo de todo ciclo de vida da edificação.

O BIM reproduz uma imagem fiel à construção real, parametrizada com detalhes e propriedades dos materiais.

Este software apresenta a evolução das dimensões, indo do 3D ao 8D, com cada dimensão apresentando uma característica:

  • 3D: modelagem e visualização espacial (compatibilização).

  • 4D: agendamento e planejamento de tempo (cronograma físico).

  • 5D: estimativa de custos e orçamentação.

  • 6D: sustentabilidade e eficiência energética.

  • 7D: gestão da manutenção e ciclo de vida (Facility Management).

  • 8D: segurança e saúde ocupacional no canteiro de obras.

Níveis de maturidade e a ISO 19650

O BIM estabeleceu um novo nível de maturidade tecnológica e colaborativa para os profissionais da área, guiado pela ISO 19650, que define como as informações devem ser gerenciadas e compartilhadas por todos os envolvidos no projeto

Estes níveis são divididos em 4 etapas, que vão do nível 0 (onde há apenas desenhos 2D e pouca/nenhuma colaboração) até o nível 3 (quando todos os envolvidos no projeto atuam em tempo real em um único modelo).

Esta divisão é um dos pontos fundamentais que o técnico em edificações precisa ter em mente, entendendo como ele compartilhará arquivos e informações, e para quem isso será feito.

O papel do técnico em edificações no setor construtivo

O papel do técnico em edificações dentro do setor construtivo é estabelecido pelo CBO 3121-05 (Classificação Brasileira de Ocupações).

Segundo o código, este profissional pode:

  • Elaborar projetos (arquitetura, estrutura e instalações até 80m²).

  • Realizar orçamentos.

  • Executar, manutenir e fiscalizar obras.

O técnico em edificações deve ser visto, majoritariamente, como ponte entre o escritório e a execução dentro do canteiro de obras, integrando arquitetura e engenharia.

Este é um cargo que evoluiu muito nos últimos anos, ganhando responsabilidades cada vez mais estratégicas e de gestão dentro dos canteiros.

Muitas vezes, este profissional substitui a figura empírica do “mestre de obras”, justamente por ter a formação técnica documentada.

Esta figura famosa dentro do mundo a engenharia sempre foi muito mais prática do que teórica, o que torna a substituição pelo técnico natural, já que sua formação foi voltada inteiramente para as práticas da profissão.

Por que o BIM para técnicos em edificações é indispensável hoje?

Hoje em dia, é fundamental que todo técnico em edificações compreenda a importância do BIM dentro da construção civil, pois isso eleva sua capacidade de gerenciar informações complexas e evita retrabalhos.

Este software auxilia o profissional em todas as suas atribuições, desde o orçamento do projeto até sua execução no canteiro.

De forma resumida, o técnico em edificações usará o BIM em:

Melhoria na orçamentação e cronogramas

As dimensões 4D e 5D do BIM facilitam a rotina do técnico que atua como orçamentista ou planejador, permitindo a extração de quantitativos e a gerência de orçamentos de forma confiável. 

Assim, é possível ter um controle mais preciso quanto à previsibilidade de custos e redução de desperdícios, proporcionando compras mais estratégicas.

Compatibilização e redução de erros

Existem algumas ferramentas essenciais dentro do AEC, que seguem a metodologia BIM, como Revit, Archicad e Navisworks.

Estes softwares são utilizados para modelagem 3D do projeto, o que permite detectar possíveis interferências (clash detection) antes mesmo do início da obra, evitando desperdícios que estouram prazos e orçamentos.

Canteiros digitais e conectados

No início da transição de uma construção civil mais tecnológica, o conceito do BIM era utilizado apenas na fase inicial do projeto, raramente saindo do escritório.

Em 2026, a tendência é integrar o corporativo com a execução, e o técnico eme edificações é fundamental nesta etapa.

Hoje em dia, grande parte das obras utiliza tablets, que permitem a visualização em tempo real do modelo 3D, garantindo clareza na execução e reduzindo improvisações, algo essencial para quem supervisiona o canteiro.

Adoção governamental e normas

O Governo Federal, através do Decreto BIM BR, estabeleceu que o uso do BIM é obrigatório em obras públicas, justamente pela possibilidade de visualização entre todos os participantes do empreendimento ao longo de sua vida útil (Nível 3 de maturidade do BIM).

Principais softwares BIM que o técnico deve conhecer

Dentro da metodologia BIM, existem alguns softwares essenciais que o técnico em edificações deve dominar.

Estas ferramentas são utilizadas em todas as etapas do projeto, desde o orçamento até a comunicação entre equipes.

Alguns dos principais softwares utilizados no mercado brasileiro são:

  • Autodesk Revit: é o software BIM mais utilizado no mercado da construção civil, permite criar modelos arquitetônicos, estruturais e de instalações com elementos paramétricos que armazenam informações técnicas, quantitativos e especificações integradas ao projeto.

  • Navisworks: é voltado para compatibilização de projetos e detecção de interferências entre disciplinas, possibilita simulações 4D vinculadas ao cronograma e análises mais precisas antes do início da obra.

  • Archicad: é uma plataforma de modelagem com forte foco arquitetônico, conhecida pela interface intuitiva e pela eficiência na documentação técnica extraída automaticamente a partir do modelo digital.

  • BIM 360: funciona como um ambiente colaborativo em nuvem, permite gerenciar documentos, revisar modelos, controlar versões e melhorar a comunicação entre equipes de projeto e execução.

  • TQS: é amplamente utilizado no Brasil para cálculo e detalhamento estrutural, pode ser integrado ao fluxo BIM para garantir maior compatibilização entre estrutura e demais disciplinas.

  • SketchUp: é uma ferramenta de modelagem 3D bastante usada em estudos preliminares e anteprojetos, com plugins específicos pode ser adaptada para fluxos BIM, auxiliando na visualização e concepção inicial do projeto.

Competências que o Técnico em Edificações precisa desenvolver

O uso dos softwares BIM é essencial no mercado brasileiro de construção civil, sendo um dos pilares centrais de um projeto bem estruturado e previsível.

O domínio destas ferramentas é essencial para os técnicos em edificação, porém, ainda existem outras competências que este profissional precisa desenvolver para se destacar neste mundo cada vez mais digital, como:

  • Interpretação avançada de modelos digitais: envolve a capacidade de navegar em ambientes tridimensionais, compreender cortes automáticos, filtros de visualização e extrair informações técnicas diretamente do modelo BIM.

  • Noções de modelagem paramétrica: consiste em entender como os elementos construtivos são criados com parâmetros editáveis, permitindo alterações automáticas em dimensões, materiais e quantitativos sem retrabalho manual.

  • Leitura e análise de compatibilização: exige identificar interferências entre disciplinas, compreender relatórios de conflitos e propor ajustes técnicos antes da execução em obra.

  • Integração entre planejamento e orçamento: significa relacionar quantitativos extraídos do modelo com composições de custo e cronogramas, contribuindo para maior precisão no controle físico-financeiro.

  • Domínio básico de softwares BIM: envolve saber modelar elementos simples, gerar pranchas, tabelas e relatórios, além de compreender fluxos de exportação e interoperabilidade entre plataformas.

  • Trabalho colaborativo em ambiente digital: requer organização de arquivos, controle de versões e comunicação técnica eficiente dentro de plataformas compartilhadas na nuvem.

  • Visão sistêmica da obra: implica compreender o projeto como um conjunto integrado de informações, conectando arquitetura, estrutura, instalações e execução em um único fluxo de dados.

Desafios e oportunidades na carreira

Por mais que a tecnologia tenha se tornado essencial dentro da construção civil, este ainda é um setor muito conservador, ou seja, resistente às mudanças.

A implementação do BIM em alguns lugares pode ser um desafio devido a dois pontos principais:

Primeiro, o custo dos softwares é relativamente alto, especialmente em níveis maiores de maturidade, onde há a necessidade de diversas contas.

O segundo é a falta de profissionais qualificados no mercado, já que o ensino técnico tradicional não costuma aprofundar o uso do BIM.

Este segundo desafio também se torna uma grande oportunidade para quem está entrando no mercado de trabalho, já que técnicos em edificações especializados no uso das ferramentas são amplamente valorizados.

Com isso, é essencial que você busque capacitações que encarem as ferramentas BIM como prioridade.

BIM é o futuro da construção e começa na sua formação técnica

O BIM tem se tornado cada vez mais importante no mundo AEC, permitindo não só a visualização digital do projeto, como também reduzindo falhas em orçamentos e na comunicação da equipe.

Uma grande tendência vista no passar dos anos é do uso destes softwares longe do escritório, já no canteiro de obras.

O técnico em edificações é a grande ponte entre estes dois espaços, portanto, é essencial que ele domine a ferramenta, o que exige um curso atualizado e qualificado.

O curso técnico em edificações EAD do CPET é a solução ideal para quem deseja sair na frente no mercado de trabalho com qualidade e flexibilidade.

O ensino a distância permite que você monte sua rotina de aprendizado, estudando de onde e quando quiser.

Mesmo sendo EAD, os cursos técnicos do CPET são inteiramente voltados para a prática, te preparando para a rotina real da profissão.

Além disso, nossos diplomas são reconhecidos pelo MEC, o que possibilita o registro junto ao conselho da sua região, neste caso, o CFT.

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FAQ

1. O que é BIM na construção civil?

BIM (Building Information Modeling) é uma metodologia que integra modelagem 3D a informações técnicas da edificação, permitindo melhor planejamento, orçamento, compatibilização e gestão ao longo de todo o ciclo de vida da obra.

2. O técnico em edificações pode trabalhar com BIM?

Sim. O técnico pode atuar na modelagem, extração de quantitativos, compatibilização, planejamento, orçamento e acompanhamento de obras utilizando plataformas como Autodesk Revit e Navisworks.

3. O uso do BIM é obrigatório no Brasil?

Sim. O Governo Federal instituiu a Estratégia BIM BR por meio do Decreto nº 10.306/2020, tornando gradativa a obrigatoriedade do BIM em obras públicas federais.

4. Quais são as dimensões do BIM?

As principais dimensões são 3D (modelagem), 4D (tempo), 5D (custos), 6D (sustentabilidade), 7D (manutenção) e 8D (segurança), ampliando o controle e a gestão da edificação.

5. Vale a pena fazer curso de BIM durante o técnico?

Sim. O domínio de BIM aumenta a empregabilidade, amplia oportunidades em construtoras e escritórios e diferencia o profissional em um mercado cada vez mais digital e competitivo.